| Sorte no amor, azar no jogo? |
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Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Conciliar uma carreira no poker com um relacionamento não é mesmo nada fácil... Já não bastassem temos que conviver com nossos horários loucos e as alterações de humor tão típicas dos profissionais da área, que são diretamente proporcionais às nossas good e bad runs, ainda temos que nos contentar com o fato de que não teremos tanto tempo de lazer, já que o trabalho é exaustivo. Se sua namorada não gosta de poker, é bom tratar de mudar um pouco essa imagem pra ela, senão é ainda mais complicado. Você pode, por exemplo, mostrar o quanto é um trabalho sério que precisa de cumprimento rigoroso de horários, por mais que eles não sejam convencionais. De um lado, você também pode fazer uma surpresa abdicando de um dia de grind para levá-la num lugar especial (lê-se um lugar bonito pra ver o pôr-do-sol, andar a cavalo, sair pra dançar, jantar ou assistir uma peça interessante. Nada de levá-la pra jogar né?); do outro, ela pode oferecer um lanchinho nos intervalos, atender telefonemas e resolver tudo mais que iria atrapalhar seu jogo. O fato é que, quando nos apaixonamos, tudo gira em torno de fazer o outro feliz, e por mais que não queiramos, isso acaba diminuindo nosso comprometimento. Surge, então, um grande desafio, que é o de continuar a ser um jogador focado no trabalho, e ainda assim, nos dedicar ao outro. Acho que essa ainda é a maior dificuldade que existe entre o Poker e os apaixonados. Afinal, quem de vocês nunca teve problemas com suas respectivas por elas ficarem carentes de atenção? Esse é um mal da nossa profissão, que nos exige horas e horas de confinamento. Além disso, o stress que passamos durante o grind certamente também é contagioso, pois cada vez que você é visto decepcionado, irritado ou deprimido, isso pode passar pra quem está ao seu lado. Não bastasse tudo isso, o Poker mexe muito com a cabeça das pessoas e muitos se tornam compulsivos e obcecados por grandes resultados. Já conversei com muitos jogadores que alegaram ter terminado um namoro pela ilusão de achar que o relacionamento atrapalhava o jogo, mas só depois refletiram sobre suas atitudes. O velho ditado: "sorte no amor, azar no jogo" estaria certo se o bom jogador precisasse dela, mas no longo prazo, sabemos que a sorte é irrelevante. No entanto, habilidade, disciplina, paciência, coragem, concentração e autoconfiança precisam continuar presentes quando começamos um relacionamento. Se junto a isso, houver o apoio de alguém que nos ama, nada melhor né? Toda essa questão me deixou um dilema no último ano: até onde vale a pena tentar atingir certos ideais, levando-se em conta o que você vai abdicar? Afinal, do que realmente precisa um homem pra viver bem? Dinheiro é bom pra te dar tranquilidade e um certo conforto. Sabedoria é usá-lo com inteligência, prudência e viver feliz, mas não se deixar escravizar por ele. Sempre acreditei que a diferença que um homem pode fazer na vida dos outros é o que determinará se ele vai sair dessa vida rico ou pobre. Sei que teria ganhado bem mais no último ano se não tivesse estado num relacionamento, mas não me arrependo nem trocaria sequer um segundo (dos momentos bons ou dos ruins) do que passei. Porque por mais que as bad beats na vida nem se comparem às na mesa, considero a experiência que se leva a maior recompensa que podemos adquirir. A vida é uma escola; estamos aqui pra aprender. E o poker não deixa de ser uma grande escola da vida. E se amor e Poker não combinam é praqueles que não possuem a maturidade e o equilíbrio necessário pra cuidar dos dois lados. Como diria Erma Freesman, "o amor é o único jogo no qual dois podem jogar e ambos ganharem." Portanto, vocês que têm namoradas, cuidem bem delas. Amor de verdade nos dias de hoje é algo raro e precisa de cuidados. Organizem melhor seus horários nos torneios, para poder ter uma vida a dois saudável, tendo tempo pras coisas fundamentais que todo casal merece ter. Cuidado com os exageros, evitem deixar que as interferências externas atrapalhem e cultivem sempre a semente do bem pra se proteger da inveja e outros sentimentos negativos. Cabe a cada um abrir mão um pouquinho de cada lado para ter uma convivência harmoniosa e feliz. Espero que tenha ajudado alguns de vocês com essas dicas. Um grande beijo, Carol Ventura |
















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